sábado, 18 de março de 2017

Ações de JBS e BRF despencam mais de 8% com Operação Carne Fraca


As ações dos frigoríficos JBS e BRF lideram a lista de maiores quedas do Ibovespa nesta sexta-feira (17), reagindo à Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que investiga irregularidades na venda de carnes. Ambas as companhias são alvo da operação.
As ações ordinárias da JBS perdiam há pouco 8,34%, a R$ 10,99, enquanto as ordinárias da BRF caíam 8,07%, a R$ 36,77. O Ibovespa operava em baixa de 1,43%, aos 64.840,27 pontos.
A operação deflagrada nesta sexta-feira é a maior já realizada da PF. Cerca de 1.100 policiais federais cumprem 309 mandados judiciais.
O objetivo é desarticular uma suposta organização criminosa liderada por fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura, que, com o pagamento de propina, facilitavam a produção de produtos adulterados, emitindo certificados sanitários sem fiscalização.
“A JBS já vinha sendo investigada pela Operação Lava Jato e agora mais uma acusação é deflagrada contra a companhia, o que deve pressionar ainda mais a empresa diante destas investigações”, diz a equipe de análise da Guide Investimentos, em relatório. A Seara, controlada pelo Grupo JBS, também é alvo da Carne Fraca.
“Quanto à BRF é a primeira vez que a empresa enfrenta acusações de ilegalidades. Esperamos repercussão negativa nas empresas no pregão de hoje, e deverá repercutir negativamente na qualidade da administração destas companhias”, acrescentam.
OUTRO LADO
A JBS, por meio de sua assessoria, afirma em nota que a empresa “e suas subsidiárias atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização de alimentos no país e no exterior e apoia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas”.
“A Companhia repudia veementemente qualquer adoção de práticas relacionadas à adulteração de produtos –seja na produção e/ou comercialização– e se mantém à disposição das autoridades com o melhor interesse em contribuir com o esclarecimento dos fatos”, diz a nota.
A BRF diz, por meio de comunicado, que está colaborando com as autoridades. Ela afirma não compactuar com práticas ilícitas e que seus produtos e a comercialização deles seguem “rigorosos processos e controles”
“A BRF assegura a qualidade e a segurança de seus produtos e garante que não há nenhum risco para seus consumidores”, afirma a empresa.
Em nota, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, afirma que determinou o afastamento imediato de todos os envolvidos e a instauração de procedimentos administrativos. “Todo apoio será dado à PF nas apurações. Minha determinação é tolerância zero com atos irregulares no MAPA”, diz.
Ele afirma que suspendeu uma licença de dez dias que tiraria da pasta diante da deflagração da operação e que, neste momento, “toda a atenção é necessária para separarmos o joio do trigo”. “Muitas ações já foram implementadas para corrigir distorções e combater a corrupção e os desvios de conduta e novas medidas serão tomadas”.

O grupo Argus também divulgou comunicado em que nega irregularidades, diz obedecer “rigorosamente” as observações sanitárias e de qualidade do Ministério da Agricultura e que se solidariza com a ação da PF, “entendendo que a mesma (operação) trará benefícios significativos ao setor, através de uma competitividade justa e adequada entre seus players”.

A Princípio Alimentos Ltda disse que foi chamada pela Polícia Federal como testemunha e que não tinha mais anda a declarar. A Sub Royal Comercio De Alimentos também disse que não vai se manifestar.

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