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Violência policial no carnaval de Juazeiro(BA): Professora e familiares denunciam agressões praticadas por PMs


A professora das redes municipal e estadual Neide Tomaz, ex presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir) de Juazeiro, seu marido e os dois filhos denunciaram no Comando de Policiamento da Regional Norte, na tarde de sánbado(11) uma ação de violência praticada por um grupamento formado por seis policiais militares que aconteceu na primeira noite do carnaval antecipado de Juazeiro, sexta(10).
O fato aconteceu no circuito da Adolfo Viana, mais precisamente na rua Coronel João Evangelista. Segundo contou Neide Tomaz ao Portal Preto No Branco, por volta das 23 horas, quando ela, o marido e os dois filhos assistiam a passagem dos trios elétricos, presenciaram uma abordagem violenta de uma guarnição da PM contra um jovem já rendido pelos policiais. Neide, numa atitude cidadã, tentou intervir e alertar os policiais que aquele ato de violência era desnecessário e que bastava prendê-lo e encaminhá-lo ao posto da policia civil, que fica na avenida, já que o jovem estava sendo visto pela policia como ameaça à ordem pública. No momento que tentava falar com a guarnição ela passou a ser o alvo das agressões e foi atingida com um tapa no rosto por um dos policiais. Iniciou-se aí uma série de agressões contra a professora e seus familiares.
” Eles começaram a espancar o rapaz violentamente com cassetetes, socos, chutes e pontapés. As pessoas que presenciavam a cena de violência ficaram chocadas e eu e minha família, que estávamos mais próximos, tentamos intervir pedindo que os policiais fizessem o papel deles de encaminhar o jovem para as providencias cabíveis. A reação deles contra nós foi também de violência e agressões desproporcionais. Eles investiram contra nós, nos batendo com cassetetes, socos e pontapés. Mandavam-nos calar a boca. Todos nós apanhamos. E apanhamos muito”, contou a professora.
A filha da professora, uma jovem de 25 anos, foi a que mais sofreu as agressões, como denunciou Neide Tomaz “Minha filha chegou a ser espancada covardemente depois de ser derrubada no chão. Ela levou um soco no rosto e foi pisada na cabeça por um dos policiais. Tudo com muita crueldade”, declarou Neide.
Depois da sessão de agressões o marido da professora, o comerciante Edésio Antônio dos Santos foi detido e conduzido a delegacia de policia civil, de onde só foi liberado na madrugada deste sábado(11).
As quatro vítimas fizeram exame de corpo de delito e já registraram queixa na policia civil e na corregedoria da Polícia Militar.
Neide Tomaz questiona: “Qual o papel da polícia militar? Não é proteger os cidadãos, a sociedade ? Colaborar com todos os segmentos da comunidade, gerando a sensação de segurança que a comunidade tanto anseia? Segundo pesquisas todo cidadão/ã  brasileiro/brasileira já foi agredido pela polícia  ou conhece alguém que já foi. Encaminhar o detido para a polícia civil seria o papel da polícia. Não cabe a PM julgar e condenar nenhum cidadão, até onde eu sei. Fomos agredidos porque não aceitamos o espancamento de um jovem negro. Um cidadão negro, que como tantos outros são espancados e mortos todos os dias neste país, sem que a justiça seja/esteja para eles e as oportunidades tampouco. Eu não aguento mais saber e ver este tipo de ação violenta de policiais e ficar omissa”, desabafou a professora.
Neide Tomaz e seus familiares, acompanhados por integrantes do Compir, levaram o caso ao coronel Alfredo Nascimento, comandante do CPRN , na manhã de hoje. Ele recomendou que as vítimas também registrassem a queixa na Corregedoria da PM, o que já foi feito e garantiu que ainda hoje dará novas instruções à tropa, assegurando também que tomará providências.
A professora Neide Tomaz também assegura que levará o caso para a instância judicial e agradece as  pessoas que já se dispuseram a testemunhar o fato e enviaram vídeos do ocorrido.
Portal Preto no Branco
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