quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Em depoimento, Cunha diz que ‘condenação parece já estar decidida’; Moro rebate: ‘Ofensivo’

Foto: Agência Brasil

Em um depoimento que durou mais de três horas, em frente ao juiz federal Sérgio Moro, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha sugeriu que fazia sua defesa, apesar de sua condenação já parecer definida pelo magistrado. A declaração foi feita já durante as considerações finais, depois das perguntas formuladas por Moro, pelo Ministério Público Federal e por seus próprios advogados. "Eu estou aqui cumprindo a minha defesa futura, porque não entendo como nós estamos diante de um processo em que a condenação parece já estar decidida. Em que estamos apenas cumprindo uma mera formalidade processual", alfinetou. Moro rebateu: "Não é este o caso. As questões vão ser examinadas, as provas vão ser examinadas. Isso para mim foi ofensivo". Cunha, então, pediu desculpas se ofendeu o juiz. "Não foi essa minha intenção", garantiu. No depoimento, Cunha mostrou que sabia de cor todas as datas e dados, tanto sobre suas ocupações públicas quanto sobre os trusts que manteve fora do país. O ex-deputado ainda reclamou de ter sua defesa "cerceada". Ao ser questionado sobre a posse de documentos que comprovassem depósitos e contratos, Cunha se queixou de não ter acesso aos seus advogados. "O que me dificultou muito, excelência, foi o fato de eu estar aqui em condições absolutamente precárias de procura de mais documentos, e com dificuldade inclusive de falar com os meus advogados, visto que o tempo é muito restrito e através de parlatório. Foi preciso muito esforço para termos três reuniões de 30 minutos, presenciais, pra poder debater inclusive esse interrogatório", criticou.  O parlamentar apontou contradições em informações juntadas ao processo e que alguns documentos encaminhados pelo banco suíço não foram traduzidos. Ao ser questionado pelo juiz sobre seu patrimônio, repetiu diversas vezes que não concordava com as avaliações do banco, que teriam contradições, e defendeu que seus imóveis tiveram valorização nos últimos 15 anos. Ao final das declarações, Cunha aproveitou para pedir a Moro que lhe concedesse liberdade. Entre as alegações para justificar o habeas corpus estavam a falta de evidências de que ele poderia fugir do país, já que seus recursos foram bloqueados – ele chegou, inclusive, a colocar seus passaportes brasileiro e italiano à disposição da Justiça –, e a falta de segurança pessoal, por dividir espaço com condenados por crimes violentos. Em resposta, o juiz avaliou que não houve qualquer incidente registrado nos últimos três anos envolvendo detentos do presídio em que Cunha está. Após a insistência do parlamentar, que sugeriu a ocorrência de uma tentativa de fuga, Moro finalizou: "Não há nada te afetando fisicamente ou de qualquer forma a qualquer preso da Operação Lava Jato. Nós estamos atentos a qualquer problema que aconteça, mas realmente não aconteceu nada até o momento".
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